Resenha: A arte de escrever, Schopenhauer

Arthur Schopenhauer (1788–1860)

Quem me conhece sabe que, via de regra, eu não gosto de manuais de escrita. Menos por eles mesmos do que pelos efeitos limitantes que causam em quem os lê e segue como mandamentos. Então por que li este livro? Bom, porque ele não é propriamente um manual de escrita, e sim uma coletânea de textos extraídos de uma obra de filosofia sobre generalidades — Parerga e Paralipomena, de Schopenhauer.

Arthur Schopenhauer foi um filósofo alemão do século XIX que desenvolveu uma teoria metafísica com influência de conceitos budistas, partindo do pensamento de Kant. Em seu livro O mundo como vontade e representação (1818), Schopenhauer diz que é a vontade que move o mundo, um querer atroz que causa sofrimento — o estado normal do ser humano, interrompido volta e meia pela consecução do desejado, que causa uma ausência temporária da dor e do tédio que, para ele, é o que chamamos de “felicidade”.

Como se vê, uma concepção bastante pessimista do mundo e da vida. É bom tê-la em mente ao ler as reflexões do autor sobre outros assuntos, já que a forma como alguém soluciona para si o enigma da vida influencia como essa pessoa enxergará tudo. Também é bom ter em mente uns poucos fatos biográficos.

Johanna Schopenhauer (1766–1838).

O pai de Arthur era comerciante e ele estava destinado a seguir os passos do pai, de modo que, de início, a família não investiu muito em sua educação. Sua mãe, Johanna, era uma romancista que granjeou alguma fama na época, frequentava a sociedade e criou um salão literário em sua casa. Schopenhauer não gostava da literatura da mãe e nem da sociedade em que ela circulava, e ela tampouco tinha apreço pela filosofia do filho, os dois chegando a trocar alfinetadas pesadas. Em compensação, o salão literário da mãe dele permitiu que Arthur tivesse bastante contato com a literatura e o mundo literário da Alemanha da sua época e conhecesse muitos escritores célebres, entre eles Goethe, que apreciava sua filosofia e de quem Schopenhauer era um grande fã.

Rompendo com a família em 1814, ele escreveu seu principal livro nos quatro anos seguintes e publicou-o em 1818. Mas o livro foi um fracasso de venda e de crítica. Em 1820, empregou-se na Universidade de Berlim, para ministrar um curso de filosofia. Tentou competir com Hegel, escolhendo dar aulas no mesmo horário que ele, e sofreu mais um revés: ficou apenas com quatro alunos — a grande maioria preferia ouvir Hegel. No semestre seguinte, ele resignou ao emprego, mas o ranço de Hegel permaneceria pelo resto da vida.

Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770–1831). O filósofo mais difícil de ler do mundo (na minha opinião).

Nos anos seguintes, ele tentou trabalhar na mesma universidade por mais uns anos, e escreveu diversos livros e ensaios, continuando sem sucesso. Em um deles O Fundamento da Moral, incluiu insultos a Hegel e outro filósofo da época, Fichte, o que causou escândalo, de modo que, apesar de ele ser o único inscrito no concurso para o qual foi escrito, não ganhou o prêmio. Somente em 1851, com a publicação de Parerga e Paralipomena, Schopenhauer obteve sucesso, ficou famoso na Europa toda e caiu no gosto da nova geração, substituindo Hegel. Foram criados cursos universitários dedicados à sua obra e ofereceram-lhe a membresia na Academia Real de Ciências de Berlim, que ele recusou.

O LIVRO

A arte de escrever compõe-se de cinco ensaios situados sequencialmente no livro entre os itens 244 e 303 (capítulos 21 a 25) de Parerga e Paralipomena: “Sobre a erudição e os eruditos”, “Pensar por si mesmo”, “Sobre a escrita e o estilo”, “Sobre a leitura e os livros” e “Sobre a linguagem e as palavras”. Os temas de todos os artigos estão entrelaçados e o autor repete as mesmas ideias aqui e ali, por isso não trataremos de cada ensaio isoladamente, mas sim das ideias que ele ventila no livro.

O ensaio “Sobre a erudição e os eruditos” tem destinatário certo. A hostilidade de Schopenhauer em relação a Hegel e outros filósofos de pensamento mais ou menos semelhante não foi mencionada à toa. São eles, suas ideias, seu modo de fazer ciência e seu estilo de se expressar que o autor usa para ilustrar a maior parte de suas críticas. Schopenhauer critica a abordagem da filosofia e da ciência como meios e não como fim. Isto é: critica os que estudam para escrever livros ou para dar aulas ou ganhar dinheiro ou fama, e não simplesmente para aprender. Isso gera, segundo ele, erudição, mas não conhecimento. A erudição seria o acúmulo de uma enorme quantidade de informações e, até certo ponto, a memorização das relações entre elas. Ela estaria muito distante do pensamento, porque:

Os eruditos são aqueles que leram coisas nos livros, mas os pensadores, os gênios, os fachos de luz e promotores da espécie humana são aqueles que as leram diretamente no livro do mundo.

Na contramão da ideia atual de que é preciso ler muito para se tornar um bom escritor, ele diz que a leitura excessiva é prejudicial. Não é que não recomende a leitura, pelo contrário. Acredita que a leitura “alimenta o espírito com materiais, à medida que um outro pensa por nós, mas assim como engolir um monte de comida sem digerir não nutre o corpo e pode até adoecê-lo, ler muitos livros sem pensar sobre eles tem um efeito semelhante sobre a mente: não se absorve nada e, como efeito colateral, pode-se até emburrecer. Pois, para Schopenhauer, “quem lê muito e quase o dia todo, mas nos intervalos passa o tempo sem pensar nada, perde gradativamente a capacidade de pensar por si mesmo” e “O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada minuto livre.

A perda da capacidade de pensar ocorreria devido à perda de contato com o objeto direto e natural do pensamento humano: o mundo real. O excesso de leitura, segundo Schopenhauer, pode fazer com que o homem perca o contato com esse mundo. Vivendo em uma sociedade cada vez mais virtualizada, em que fenômenos e polêmicas nascem e morrem em um mundo inexistente que virou um intermediário obrigatório das interações sociais, é difícil não concordar com o autor.

Pois o que é percebido, o que é real, em sua originalidade e força, constitui o objeto natural do espírito pensante e é capaz, com mais facilidade, de comovê-lo profundamente.

Para Schopenhauer, o pensamento claro e bem elaborado, enquanto ainda é só pensamento, é a base da boa escrita. Inversamente, o autor que escreve mal o faz, quase sempre, porque não tem um pensamento a comunicar, ou porque não o concluiu e nem ele o entende bem ainda, ou porque não consegue expressar esse pensamento bem, seja por não dispor dos meios linguísticos para tanto, ou por estar preso a estilos alheios.

A primeira coisa de que o autor se ocupa ao abordar a escrita é do conteúdo. É preciso que haja conteúdo para que um texto tenha qualidade. Esse conteúdo pode ser qualquer coisa, desde que tenha substância. Inclusive, ele diz que, quanto à literatura, os literatos mais capazes são aqueles cujos livros despertam interesse pela forma mais do que pelo conteúdo. Porque os livros que despertam interesse por seu conteúdo — um livro de viagens, por exemplo, ou um livro de receitas — não precisam ser bem escritos para serem bons. Mas se pegarmos uma história de amor, por exemplo, o tema batidíssimo, é quase impossível achar um viés em que ele não tenha sido explorado. No campo prático, há pouco que um livro sobre esse tema nos possa ensinar. Mas se o autor escrever bem a história, dar a ela uma forma interessante, conseguirá merecer a atenção dos leitores.

Quando fala da forma como prova de habilidade, Schopenhauer não está se referindo de modo algum àquela escrita experimental que, por vezes, chega a ser hermética, e que visa causar a impressão de só poder ser entendida por mentes superiores, feito a roupa nova do imperador. Pelo contrário. Ele o mira com desconfiança, considerando-o um disfarce da ausência de conteúdo, da preguiça do autor de completar seu pensamento no nível mental, para só então passá-lo ao papel. Um dos trechos mais ferinos do livro, que, apesar de extenso, vale ler transcrever quase na sua integralidade, destaca a relação entre defeitos do estilo e defeitos do conteúdo. Segundo ele, o estilo pessoal de um autor revela a dimensão do seu talento e o estado da sua inteligência. Assim:

Conhecendo em segredo essa condição, todo escritor medíocre procura mascarar seu estilo próprio e natural. Isso o obriga, em primeiro lugar, a renunciar a toda ingenuidade, que com isso se converte em privilégio reservado aos espíritos superiores, conscientes de si mesmos e, assim, capazes de se apresentar com segurança. As cabeças banais simplesmente não podem se decidir a escrever do modo como pensam, porque pressentem que, nesse caso, o resultado teria um aspecto muito simplório. Mas já seria alguma coisa. Se eles apenas se dedicassem com honestidade à sua obra e simplesmente quisessem comunicar o pouco e usual que de fato pensaram, da maneira como pensaram, seriam legíveis e até mesmo instrutivos dentro de sua esfera própria. Só que, em vez disso, esforçam-se para dar a impressão de ter pensado mais e com mais profundidade do que o fizeram realmente. Essas pessoas apresentam o que têm a dizer em fórmulas forçadas, difíceis, com neologismos e frases prolixas que giram em torno dos pensamentos e os escondem. Oscilam entre o esforço de comunicar e o de esconder o que pensaram. Gostariam de expor o pensamento de modo a lhe dar uma aparência erudita e profunda, para que as pessoas achem que há, por trás deles, mais do que percebem no momento. Assim, ora lançam os pensamentos de modo fragmentário, em sentenças curtas, ambíguas e paradoxais, que parecem significar muito mais do que dizem (…); ora os apresentam numa torrente de palavras, com a mais insuportável prolixidade, como se fossem necessários verdadeiros milagres para tornar compreensível o sentido profundo de suas ideias — quando elas na verdade se reduzem a algo muito simples ou mesmo a uma trivialidade (…). Ou então eles se esforçam para escrever de um modo próprio que quiseram adotar e consideram elegante, como por exemplo o estilo (…) científico e profundo, no qual o leitor é martirizado pelo efeito narcótico de períodos longos e enviesados, sem pensamento algum (…). Ou então eles têm em vista um modo de escrever espirituoso, com o qual parecem querer ficar loucos. (…) Além disso, essas pessoas também escrevem palavras, ou mesmo frases inteiras, nas quais elas próprias não pensaram nada, contudo esperam que um outro possa pensar ao lê-las. O motivo de todos esses esforços não é nada além da aspiração incansável, buscada sempre por novos caminhos, de vender palavras por pensamentos, produzindo a aparência do talento por meio de expressões novas, ou usadas em novos sentidos, com fórmulas e combinações de todos os tipos, para suprir a falta de engenho que os faz sofrer.

Essa referência a “expressões novas, ou usadas em novos sentidos” não é casual. O filósofo tem uma tendência bem conservadora quando o assunto é linguagem. Esse é um dos pontos um tanto aborrecidos do livro: em alguns momentos, o autor fica parecendo um daqueles tiozões de grupos de leitura, escrita ou tradução que não entende direito o conceito de língua viva e fica batendo pé em um purismo gramatical descabido. Por outro lado, é preciso compreender os argumentos de Schopenhauer, porque alguns até têm sentido.

Ele reclama com frequência de como os novos autores estão deformando a língua alemã com inovações sem sentido em nome da concisão e da beleza do texto, cortando palavras e partes de palavras necessárias e usando tempos verbais errôneos para deixar o texto mais curto, fazendo manobras estranhas para evitar repetir palavras, etc. Tudo isso, segundo ele, sai pela culatra, por gerar um texto incompreensível. Acontece que a linguagem é uma convenção, e a comunicação só funcionará bem se os que tomam parte nela estiverem falando a mesma língua, e não versões das palavras adaptadas a seu bel-prazer, segundo o significado pessoal que atribuem a elas e a suas variações gramaticais. As modificações arbitrárias da língua perpetradas nos textos da literatura alemã da época, geravam o que o autor considerava um erro de estilo, a subjetividade, que “consiste no fato de que basta ao escritor saber o que ele quer e pretende dizer; o leitor que se arranje para acompanhá-lo”. Segundo ele:

(…) o estilo não deve ser subjetivo, mas objetivo; e para tanto, é necessário dispor as palavras de maneira que elas forcem o leitor, de imediato, a pensar exatamente o mesmo que o autor pensou.

A chance de o leitor pensar exatamente o mesmo que o autor ao ler um texto, sabe-se hoje, é ínfima, para não dizer nula, devido ao acervo semântico de cada um. Mas sem dúvida a objetividade facilita esse processo. Tanto assim que gêneros literários por natureza mais subjetivos, como a poesia lírica, tendem a gerar infinitas possibilidades nebulosas de interpretação.

Suas censuras contra o alemão da sua época não o impediam de amar a própria língua e considera-la uma das poucas línguas modernas que chegava aos pés das línguas clássicas. Ele chama o inglês de “traje mal-remendado de pensamento, feito com retalhos de tecidos heterogêneos” e o francês de “mais miserável jargão românico” com “repulsivos sons nasais” e um também “repulsivo acento na última sílaba”; só mostra um pouco de respeito pelo italiano. Ainda assim, estimula o estudo das línguas, de várias línguas, pois acredita que isso ajuda a expandir o intelecto do homem.

Isso porque cada nação construiu seus próprios conceitos, que expressa através de sua língua. Embora esses conceitos sejam, muitas vezes, semelhantes, por se referirem ao mesmo fenômeno (por exemplo: o sol, o pão, a casa), as cargas culturais que cada um desses termos ganha em cada língua são diferentes. Algumas línguas desdobram em dois ou mais um conceito que outras consideram uno, como os verbos “ser” e “estar” do português e do espanhol, que em muitas línguas, especialmente as não latinas, equivalem a um verbo só (o to be do inglês, por exemplo). Assim, ao se aprender uma nova língua, “toma-se consciência de uma quantidade infinita de sutilezas, semelhanças, diferenças, relações entre as coisas (…) aumentando também a flexibilidade do pensamento à medida que o conceito se torna cada vez mais livre da palavra com o aprendizado de várias línguas”. E, nesse processo, conforme a pessoa vai aprendendo as diversas formas de olhar para um mesmo objeto, cristalizadas por diferentes povos em suas respectivas línguas, os conceitos vão se desprendendo das palavras e se formando com mais clareza e plenitude na mente dessa pessoa.

Por causa dessa ausência de equivalência perfeita entre os termos das línguas diversas, a opinião de Schopenhauer sobre a tradução é majoritariamente negativa. Para ele, “todas as traduções são necessariamente imperfeitas” e “Poemas não podem ser traduzidos, mas apenas recriados poeticamente; e o resultado é sempre duvidoso”. Ele encara o aumento das traduções na sua época como efeito de dois fenômenos que considera deletérios: 1) a gana de expandir o público e vender os livros para o maior número de pessoas possível, inclusive para homens do povo incapazes de entende-los e mesmo com o conteúdo “deturpado” pela tradução, e 2) a preguiça dos eruditos e candidatos a eruditos de aprender as línguas clássicas para ler as obras no original. Essa preguiça, segundo ele, já prejudicara inclusive o desenvolvimento das ciências, tendo aposentado o latim como língua franca dos cientistas, que, durante toda a idade média, permitira que os textos fossem mutuamente inteligíveis em qualquer país europeu.

Os clássicos romanos e gregos são as meninas dos olhos de Schopenhauer. É com eles que ele responde à pergunta: “Mas o que ler, então?”, que brota na mente quando o ouvimos defender ler menos e melhor. Afinal, foram os clássicos que passaram no teste do tempo. Ele recomenda também alguns autores contemporâneos, como Goethe, mas aconselha dar prioridade aos textos que continuam relevantes depois de vários séculos. E justifica bem seu parecer, referindo que a literatura e a ciência avançam em uma marcha bem mais lenta que a vida real, em um caminho turbulento cheio de avanços e recuos e disputas, de modo que é comum:

(…) vermos, a cada trinta anos, o espírito científico, literário e artístico da época declarar falência. Pois nesse período de tempo, os respectivos erros e descaminhos se acumularam tanto que desabam sobre o peso de sua absurdidade, e ao mesmo tempo a posição em relação a eles se fortalece. Nesse momento, ocorre uma mudança, só que com frequência ela é seguida por um erro na direção oposta.

A seu ver, é sempre a posteridade que atesta melhor o valor da obra de um autor, e não os seus contemporâneos, que não costuma reconhecer os grandes gênios enquanto estão vivos.

Gostaria que alguém tentasse escrever um dia uma história trágica da literatura, na qual expusesse como as diferentes nações, cada uma das quais deposita seu maior orgulho nos grandes escritores e artistas que tem a exibir, trataram esses homens durante suas vidas.

Como ele mesmo só foi reconhecido depois de publicar essa obra, é possível que houvesse um tanto de mágoa aqui e em muitas das outras ideias que ele manifesta no livro. Mas a afirmação em si é verdadeira. Se contarmos os artistas que morreram na miséria para ganhar fama pós-morte, a conta é grande.

Apesar de pequeno, o livrinho é bem recheado. Nos estreitos limites desta resenha, apenas sobrevoamos os temas maiores, sem se debruçar nos desvios e volteios que ele faz para abordar questões também de interesse. E, apesar de mal-humorado, o autor dá bons conselhos, faz proposições sobre clareza, simplicidade, concisão e estilo mais elaboradas e aprofundadas do que se costuma ver. É um livro que vale a pena um escritor ou cientista ter na estante e revisitar de quando em quando, até absorver por completo a parte válida de seu conteúdo, seguindo o conselho do próprio Schopenhauer de não comer sem digerir, isto é, não ler nada sem submetê-lo à prova do próprio pensamento.

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Érika Batista

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