Resenha: Pela contramão, de Martha Wibbelt

Olá gente! Como este é apenas meu segundo post de 2021 aqui, primeiramente feliz ano novo! Apesar de as circunstâncias não estarem nos sorrindo no momento, vamos ter esperança de que este ano não será um repeteco de 2020.

Sei que já é quase março, mas demorei tanto porque estava 1) ocupada com trabalho e 2) planejando outro post para começar o ano, um recapitulando toda a minha produção de 2020, porque já faz o que, desde setembro que eu ando meio ausente, né? Mas não deu pra fazer esse post ainda e eu decidi que não vou deixar essa circunstância me impedir de compartilhar minhas impressões frescas das poucas leituras que tenho feito com vocês.

Dito isso, vamos a este livro, o romance Pela contramão, da Martha Wibbelt publicado pela Editora Ipeamarelo que eu finalmente terminei de ler neste fim semana. Não foi minha primeira leitura do ano, há outro livro finalizado em janeiro e outro que estou quase terminando, mas eles terão sua vez. Mas foi minha leitura mais rápida. Pela contramão tem um texto fluido e razoavelmente objetivo, que o torna uma leitura muito fácil e prazerosa. A história em si também é objetiva: o romance tem um arco, atos definidos, temática clara. Eu só gostaria, talvez, de um pouco mais de “show, don’t tell” (pensei que jamais diria isso!).

O livro conta a história de Karen, uma moça de classe média-alta, na faixa dos trinta, que se revolta com a mãe após o suicídio do pai, foge da sua vida antiga para viver com simplicidade até que, na sua migração, encontra Dago e sua filhinha Gisele. Esses dois serão responsáveis — por bem ou por mal — por fazer Karen rever seus conceitos sobre muita coisa e amadurecer.

Confesso que, no início, foi muito difícil me conectar com os personagens. Karen é muito “tudo de bom” para ser real — bonita, inteligente, simpática, caridosa, todo mundo gosta dela, a compreende e se interessa pelos seus problemas. Os outros personagens, em sua maioria, também lindos e bondosos, orbitam demais em torno dela e desaparecem na névoa — não consegui formar uma ideia muito clara de como seriam Joel, Ana, Joana, etc. Os atos e a rebeldia de Karen também parecem exagerados, pois apesar de suas motivações serem expostas desde o começo, em parte, a reação dela parece exagerada.

Só comecei a simpatizar com a Karen da primeira vez em que alguém não caiu aos pés dela — isto é, o Dago. A situação em si em que eles vivem é um tanto incômoda, a paixão dela por ele, não tão justificada (uma mistura de fogo no rabo com complexos freudianos), mas é nesse momento que o livro começa a ganhar realidade. Mais precisamente, quando Karen começa a colher as consequências dos seus atos e comer o pão que o diabo amassou por causa da uma situação que ela mesma escolheu devido à sua recusa de escutar os outros.

Quem nunca.

Gosto do fato de o Dago não se converter no príncipe encantado desejado. Gosto que Karen tenha compreendido melhor sua mãe (e seu finado pai) a partir das experiências que lhe sucederam. O finalzinho em si não é tão realista, porque quem é que tem tanta paciência como o Theo?

Geralmente as oportunidades perdidas não voltam. (Falando em código para evitar spoilers). Mas não faz mal a Karen ter esse consolo depois de ter calçado as sandálias da humildade como ela calçou.

Enfim, o livro tem evolução de personagem, e só isso já faz sua leitura valer a pena. A proximidade dos dilemas enfrentados à realidade de cada um é outro ponto forte. Claro que a situação específica pela qual a protagonista passa não se repetiria com todos, por ela ser uma pessoa privilegiada em vários aspectos. Mesmo assim, o coração dos seus dilemas é universal: o conflito de gerações que marca cada existência humana e a História da humanidade. O momento edipiano de matar o pai (e casar com a mãe), i.e., o questionamento das decisões dos que vieram antes, até que o uso de nossa liberdade nos leve às mesmas situações — e então venham a compreensão e o perdão.

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Escritora, leitora, e tradutora. Conheça meus livros, projetos, portfolio e redes sociais em https://linktr.ee/erika.sbat

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Érika Batista

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